Introdução
Em ambientes industriais críticos, falhas raramente são eventos súbitos.
Na prática, elas são o resultado de um processo silencioso e cumulativo, que se desenvolve ao longo de semanas, meses ou até anos.
O problema é que muitos desses mecanismos de degradação não são visíveis a olho nu e, quando os sinais finalmente aparecem, o impacto já é significativo:
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paradas não planejadas
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perda de produção
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aumento do custo de manutenção
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riscos à segurança e à integridade operacional
Este artigo apresenta as principais causas ocultas de falha em ativos críticos, com foco técnico e prático, ajudando engenheiros e profissionais de manutenção a identificar onde o problema realmente começa.
A ilusão da “operação normal”
Um dos maiores riscos na gestão de ativos é confundir ausência de falha com condição saudável.
Ativos críticos podem operar aparentemente bem enquanto, internamente:
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partículas se acumulam
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o lubrificante se degrada
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superfícies sofrem desgaste progressivo
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contaminantes alteram propriedades físico-químicas
Esse cenário cria a falsa sensação de estabilidade, atrasando ações corretivas e preventivas.
Falhas raramente avisam — elas se constroem.
Contaminação por partículas: o desgaste invisível
A presença de partículas sólidas é uma das principais causas de falha prematura em:
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sistemas hidráulicos
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redutores
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bombas
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mancais
Essas partículas podem ter origem em:
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desgaste interno dos próprios componentes
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contaminação externa (ambiente, manuseio, reabastecimento)
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processos de manutenção inadequados
Mesmo partículas microscópicas são suficientes para:
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acelerar desgaste abrasivo
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gerar fadiga superficial
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comprometer folgas críticas
Importante: quanto menor a tolerância do sistema, maior o impacto da contaminação.
Água: o contaminante mais subestimado
A água é um dos contaminantes mais perigosos em sistemas lubrificados, especialmente porque seus efeitos nem sempre são imediatos.
Ela pode causar:
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oxidação acelerada
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perda da capacidade lubrificante
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formação de verniz
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corrosão interna
Em muitos casos, a água está presente abaixo do limite de detecção visual, mas já suficiente para comprometer o desempenho do sistema.
A ausência de emulsão visível não significa ausência de risco.
Verniz: quando a química do óleo vira inimiga
O verniz é resultado da degradação térmica e oxidativa do lubrificante, formando subprodutos insolúveis que se depositam em superfícies internas.
Seus efeitos incluem:
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travamento de válvulas
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resposta lenta de atuadores
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aumento de temperatura
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falhas intermitentes difíceis de diagnosticar
O mais crítico é que o verniz:
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não aparece de forma repentina
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não é removido por filtragem convencional
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exige monitoramento e tratamento específico
Muitos sistemas falham não por quebra mecânica, mas por perda de controle funcional causada pelo verniz.
Planos de lubrificação inadequados (ou mal executados)
Um plano de lubrificação mal dimensionado pode ser tão prejudicial quanto a ausência dele.
Problemas comuns incluem:
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escolha incorreta do lubrificante
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intervalos inadequados de relubrificação
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volumes excessivos ou insuficientes
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falta de controle de contaminação no processo
Além disso, planos que não consideram:
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condição real de operação
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carga, temperatura e ambiente
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criticidade do ativo
acabam falhando em proteger o equipamento ao longo do tempo.
Monitoramento insuficiente: quando a falha é a falta de dados
Sem dados confiáveis, decisões de manutenção tornam-se reativas.
A ausência de:
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análises periódicas de óleo
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controle de tendência
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monitoramento de contaminação
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indicadores de degradação
faz com que a equipe atue após o problema já ter causado impacto.
Manutenção baseada em condição não é custo — é proteção do ativo.
O custo real das falhas ocultas
As consequências das falhas ocultas vão além do reparo do equipamento:
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paradas não planejadas
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impacto na produção
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aumento do custo total de manutenção
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redução da vida útil dos ativos
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perda de confiabilidade operacional
Na maioria das vezes, o custo da falha é muito maior do que o custo da prevenção.
Conclusão: o problema está dentro, não fora
Ativos críticos raramente falham por um único fator isolado.
Eles falham por acúmulo de pequenos desvios, ignorados ao longo do tempo.
A boa notícia é que:
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essas falhas deixam rastros
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esses rastros podem ser monitorados
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a engenharia pode agir antes do colapso
Com uma abordagem técnica estruturada, baseada em dados, confiabilidade e gestão adequada da lubrificação, é possível transformar manutenção reativa em estratégia de proteção de ativos.
Sobre a Unax Group
A Unax Group atua com soluções completas em engenharia de lubrificação, confiabilidade e gestão de ativos, apoiando indústrias críticas na redução de falhas, aumento da vida útil de equipamentos e melhoria da performance operacional.
